terça-feira, 8 de setembro de 2009

como criar peru parte2


Uma instalação caseira para criação de perus
Criam-se perus com o objetivo exclusivo de produzir carne, já que a quantidade de ovos que uma perua é capaz de bootar é bastante reduzida em relação aos gastos para mantê-la - ela produz cerca de 50 ovos por ano. A pesar de bastante rústicos, quando adultos, os perus merecem atenção especial durante os três primeiros meses de vida. É nessa fase, principalmente nas três primeiras semanas, que eles apresentam a maior mortalidade - isso, anos atrás, fortalecia o mito de que o sucesso na criação de perus era dificílimo. Hoje se sabe que a espécie precisa apenas superar a fase crítica, para, então, desenvolver-se facilmente. Nas delicadas primeiras semanas, eles não devem ficar expoxtos à umidade nem ao frio e de modo algum devem se molhar. Após os três meses, podem até ser criados soltos em pastagens, onde procuram árvores para dormir e arbustos para esconder os ninhos. Os perus pertencem à ordem dos galináceos, família dos meleagrídeos ( a mesma da galinha d'angola). Dividem-se em dois gêneros e cinco subespécies. As várias raças criadas comercialmente pertencem à subespécie Meleaghris gallopavo gallopavo. Nas criações industriais, feitas em larga escala em galpões, são utilizadas as raças sintéticas (criadas em laboratórios) hybrid e betybull. Elas apresentam desenvolvimento acelerado, chegando mais depressa ao peso de abate, mas são menos rústicas e, portanto não recomendadas a criações caseiras. O tipo mais utilizado em criações domésticas é peru caipira, resultado de cruzamentos desordenados entre as três raças puras que chegaram ao Brasil - a mamute-bronzeado, o branco-holandês e o vermelho-de-bourbon. Mas as raças puras também são criadas em casa.
Instalações
A única exigência mais sofisticada dos perus, em termos de instalações, é uma casinha bem protegida contra o frio, o vento e a chuva: é a casinha para o ninho, com chão de cimento coberto com palha macia, onde os filhotes nascerão e ficarão protegidos nas primeiras semanas. A casinha deve ter algum tipo de aquecimento, que pode ser uma lâmpada elétrica de 60 W, ligada o tempo todo em que a instalação estiver sendo usada. Para adultos, só se faz um abrigo rústico, coberto e também protegidoda friagem - aqui eles passam a noite e se abrigam da chuva. É preciso que haja um pasto para eles - um gramado ou uma extensão de capim, onde encontrarão bichinhos e verde para comer. Tecnicamente, diz-se que pastos de 250 m² representam uma boa área para 12 aves, o que daria mais ou menos 20 m² por peru. Mas é bem provável que eles sesintam bem com uma área menor por cabeça. O pasto deve ser cercado com uma cerca de 1,80 m de altura. O custo da cerca pode ficar meio salgado, se se usar tela. Mas dá pra cercar com bambu ou outro tipo de madeira da região. Água e comida devem ser distribuídas pelo pasto em várias vasilhas. À noite , as aves jovens devem ser recolhidas em lugar longe do frio, úmidade e ventos o ideal um galpão.

Saúde
A partir do quarto mês, superada a fase de alta taxa de mortalidade, o peru não costuma dar susto. Mas até lá é bom ficar prevenido contra algumas doenças. São elas:
Enterepatite ou histomoníase - É uma das mais graves doenças que atacam os peruzinhos. Provocada por um parasita intestinal, geralmente ocorre entre a quarta e a décima segunda semanas de vida, período que é chamado de "crise do vermelho" - quando começam a surgir as carnosidades sobre a cabeça e o papo, os perus ficam bastante sensíveis, perdem o apetite e a vivacidade. Perus criados com galinhas pegam enterepatite com mais facilidade. O tratamento é feito com antibióticos como a fenotiazina, na dose recomendada pelo fabricante. Dar leite às aves ajuda a prevenir a doença.
Pulorose - É causada por uma bactéria (salmonela) que ataca também pintos e galinhas. Os peruzinhos se infectam entre duas e dez semanas . O contágio pode se dar pelo ovo, durante a incubação. As aves ficam pálidas e passam muito tempo sentadas, como se estivessem cansadas, elas também emagrecem e passam a procurar mais a fonte de calor, há diarréia branca. Deve-se em primeiro lugar , trocar cada dois dias a palha do chão do abrigo, mas é preferível que os peruzinhos fiquem sobre uma tela de arame com malha fina e suspensa do chão, para evitar contato com as fezes. No tratamento usam-se antibióticos à base de sulfa.
Coccidiose - Também ataca as aves novas, entre cinco e dez samanas, e assemelha-se à enterepatite. As aves apresentam diarréia amarela-esverdeada. Como tratamento pode-se usar sulfaguanidina e outros antibióticos também a base de sulfa. As aves doentes devem ser separadas das sadias.
Difteria - As aves começam a mostrar tumores na cabeça e nas membranas do bico. Rapidamente perdem o apetite e emagrecem. Geralmente, os olhos ficam inchados e lacrimejantes. Tratamento não há, só prevenção. Em criações nas quais já tenha havido a difteria ou varíola é recomendável vacinar as aves. A vacina, que leva quatro semanas para fazer efeito, deve ser dada entre a quarta e sexta semanas. É aplicada na face inferior da asa.
Coriza Contagiosa - Não chega a matar, mas prejudica o desenvolvimento. Geralmente o corre quando as aves passam frio, ficam expostas à umidade ou tomam chuva. A coriza ataca os olhos e o nariz. O antibiótico mais indicado é a terramicina.
Parasitas - Os piolhos que normalmente atacam as galinhas também atacam os perus, que acabam irritados. O uso de bolinhas de cânfora ou essência de eucalipto pode resolver problema.O percevejo-das-aves é outro incômodo. Nos meses mais quentes deve-se fiscalizar os galpões de criação em busca de percevejo. Se for encontrado, os poleiros devem ser lavados com água e sabão e pintados com óleo. A solitária, é um parasita intestinal, é frequente entre os perus. Alguns espécimes sã invisíveis a olho nu e outros podem atingir até 20cm de comprimento. Para evitá-los, é bom cobrir o excesso de estrume com cal virgem. a Ascaridia perspicillum e a Heterakis papillosa também podem atacar os perus, apesar de não ser frequentes. O tratamento é feito com vermífugos específicos.
A reprodução
O período reprodutivodos perus de criação começa antes de completarem 1 ano: o dos machos aos 9 meses de idade e o das fêmeas, aos 8 meses. Elas reproduzem bem até o fim do terceiro ano e a essa altura devem ser descartadas. Um macho cobre de seis a oito fêmeas. Os machos que não estão sendo usados na reprodução devem ficar longe das fêmeas, pois ao vê-los podem recusar o reprodutor que lhes tenha sido destinado. Nas egiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a postura geralmente começa no final do inverno ou no início da primavera. Nas regiões Norte e Nordeste, começa junto com a estação das águas.
A postura dos ovos se faz em duas séries anuais, cada uma com 15 a 30 ovos. Mas algumas peruas férteis chegam a realizar três séries de postura num ano. A primeira série é a mais importante, já que é dela que irão sair os ovos que serão chocados - o peso dos ovos da ´primeira série é maior, e os peruzinhos que deles nascem são mais fortes. As peruas são muito boas chocadeiras e cada uma capaz de chocar de 15 a 20 ovos de cada vez. O choco leva 28 dias. Esse período é o mesmo, independente de incubação ter sido natural ou artificial com a utilização de chocadeiras elétricas.
Para evitar a consanguinidade, ou seja, uma alta taxa de parentesco dentro da criação, é recomendável trocar os machos reprodutores todo ano. Se não for possível - até por medida de econômia - é bom tomar cuidado para que eles não acasalem com filhas ou irmãs.
Quando os reprodutores são escolhidos dentro da própria criação, a preferência deve ser daqueles que apresentam bom peso e que tenham se desenvolvido com certa rapidez. Devem mostrar características bem definidas da raça e ser ativos e saudáveis.O peito deve ser profundo e largo. Se os reprodutores forem adquiridos de empresas que fazem selecionamento genético, é bom lembrar que geralmente esses animais têm características próprias para criação em confinamento e, portanto, apresentam menor rusticidade.
Macho e fêmea não devem ter pesos muito diferentes, pois um macho muito pesado vai acabar machucando a fêmea. Uma cópula normal pode ser feita entre um macho pesando entre 14 e 15 Kg e a fêmea entre 8 e 10 Kg. Não é aconselhável utilizar machos acima de 3 anos na reprodução. Para as fêmeas, o limite é de 4 anos.
Um cuidado a tomar com os reprodutores é o de nunca cortar as asas, principalmente as do macho, que perderá então todo equilíbrio durante a cópula. Se os reprodutores conseguem passar por cima da cerca, deve-se elevá-la em alguns centímetros. Uma tela com 1,80 m geralmente é o suficiente para segurar as aves.
A cóipula não dura mais do que alguns segundos. Mas o ritual todo, desde os galanteios iniciais aé que o macho se ajeite sobre a fêmea, pode levar alguns minutos. Quando o macho está pronto para a cópula ele fica "pavoneando" abrindo a cauda, mostrando o peito inchado e varrendo o chão com as asas. Quando a cópula não é realizada, o macho bate com as patas no chão, com raiva, chegando a formar calosidades.
Como o macho usa seu esporão para se fixar sobre a fêmea, não é raro que ele a machuque, podendo até causar ferimentos graves. Por isso alguns criadores colocam uma capa de couro sobre o dorso da fêmea pouco antes do ato sexual. Basta apenas uma única cópula para que todos os ovos de uma série da fêmea sejam fecundados.
Quando a época da postura está próxima, a fêmea se oferece com maior facilidade ao macho, que pode cobrir entre seis e sete fêmeas por dia durante até seis meses, em regiões de clima ameno.
Cerca de 15 dias após a cópula, a fêmea começa a por os ovos. Nessa época os machos já devem ter sidoseparadosdas peruas.É importante que nem o macho nem a fêmea estejam muito gordos na época do acasalamento. Um macho muito pequeno acaba por machucar a fêmea, que quandoestá muito gorda, tem a fertilidade reduzida.
Alimentação
Os filhotes recém-nascidos não devem receber nenhuma alimentação até completar 36 horas de vida. A partir daí, é preciso lhes oferecer ração, que pode ser a mesma dos pintinhos, acrescida de ovo cozido picado e algumas verduras, também picadas. É bom sempre umedecer a ração com água ou leite azedo, que irão ajudar na digestão dos filhotes. Como nos primeiros dias os peruzinhos não sabem se alimentar em cochos ou vasilhames, a ração deve ser colocada sobre uma folha de papel no chão. A ração de crescimento deve ter entre 20% e 21% de proteína bruta.
Para os adultos, o melhor é oferecer ração com 18% de proteína bruta. As fêmeas aptas à reprodução devem receber ração com 17% de proteína. Sementes, folhagens e insetos catados no pasto ajudam na alimentação, reduzindo em até 25% o custo. Antes do abate, os perus podem passar por um regime especial para melhorar o sabor da carne. O regime dura três semanas. Na primeira semana, eles recebem grãos ( milho e trigo) pela manhã e à tarde; ao meio-dia, verduras e leite desnatado. Na segunda semana, ração e verduras de manhã ; grãos ao meio-dia e a tarde. Na terceira semana, só ração e verduras, três vezes ao dia. O peru deve ficar recluso por 24 horas antes do abate, sem receber alimentação (só água).
Ovos
Como já foi dito, a produção de ovos para consumo não é objetivo da criação de perus. A postura se inicia 15 dias após o acasalamento. Em climas quentes, o acasalamento e a postura começam mais cedo. A capacidade máxima de postura da fêmea acontece entre o primeiro e o segundo ano de vida, decrescendo daí pra frente.
Os ovos destinados à produção de peruzinhos não devem ser armazenados por mais de dez dias antes de serem levados para o choco ou incubação artificial - ovos botados há mais tempo não vingam bem. Eles devem ser mantidos em torno de 16°C precisam ser virados duas vezes ao dia, para que fiquem homogêneos internamente. No período de postura, a coleta deve ser feita duas vezes ao dia.
A incubação natural - a perua sobre os ovos - é o método mais aconselhado para iniciantes e para quem tem poucos animais. A perua choca entre 17 a 23 ovos de cada vez, dependendo do tamanho dos ovos. Quando está prestes a começar a postura, a fêmea já procura o ninho e lá permanece por muito tempo emitindo sons típicos, mais ou menos como galinha. O ninho para a perua choca pode ser uma caixa de madeira medindo 50 cm de comprimento e 50 cm de largura e 25 cm de altura. Deve ser forrado com palha e estar sempre limpo. Dentro da casinha destinada ao choco, a perua deve ter `a disposição água limpa e ração - isso evita que ela abandone os ovos para se alimentar. Nas horas em que a perua deixa os ovos descobertos, o criador não deve cobri-los, pois de vez em quando eles precisam respirar um pouco. Aí é bom aproveitar para verificar se o ninho está limpo e se não se não há ovos quebrados.
Filhotes
Os filhotes saem do ovo por volta vigésimo oitavo dia, após apostura. Se sentirem dificuldades para quebrar a casca, porém, não devem ser ajudados pelo criador - isso indica que os animais são fracos e provalvelmente não terão desenvolvimento satisfatório durante a criação. No choco natural, é possível que alguns ovos é possível que alguns ovos levem pouco mais de 28 dias para eclodir. Deve-se entãorecolher os filhotes já nascidos e pô-los em local bem aquecido, enquanto se espera que nasçam os demais . O recém- nascidos ficam na casinha aquecidaque deve ser cercada para evitar que os adultos os machuquem. Ali, juntos com a mãe, vão passar seus três primeiros meses. Nessa período, é preciso evitar que se molhem ou passem frio, o que poderá lhes causar a morte.
após os três meses com a mãe, podem ir para o pasto e usar o mesmo abrigo dos adultos, à noite ou durante as chuvas.Quando se compram peruzinhos de 1 dia para engordá-los, é preciso mantê-los em ambiente fechado e aquecido, sobre palha macia, até a décima semana de vida. É importante evitar que saiam à terra, pois geralmente não são de variedades muito resistentes. Nessa idade é possível manter uns dez peruzinhos por metro quadrado. Eles devem ir para o ar livre num dia de bastante sol, seco e quente. Além da passagem do segundo para o terceiro mês de vida - fase crítica do desenvolvimento e das energias gastas pelos filhotes, a maior mortalidade entre eles se verifica na primeira semanade vida. Nessa época, todo cuidado é pouco. A partir daí, dá para ficar bem sossegado. Para facilitar as coisas no futuro, é bom acostumar os filhotes desde cedo a ir para os abrigos. Assim, quando chegar a época da postura, as fêmeas automaticamente procurarão botar ali e não no terreiro, onde será difícil encontrar e recolher os ovos.

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